Cérebro e Emoções
“A questão mente-corpo, o problema de como a mente se relaciona com o cérebro e o resto do corpo, constitui uma das questões filosóficas mais inquietantes. Tem sido sempre o calcanhar-de-aquiles da psicologia.” (LeDoux, 2001).
Desde dos nossos antepassados que existe uma preocupação em definir o papel da mente e do corpo, sem que nenhuma conclusão concreta tenha sido estabelecida.
No passado existia e continua a existir uma incógnita sobre as emoções e o pensamento, sobre qual dos dois prevalecia. Sendo durante muito tempo aceite o pensamento era o que prevalecia. Porém este pensamento foi se dissipando e no nosso quotidiano as emoções tem um papel fundamental, para isso contribuíram vários estudos e autores como o Daniel Goleman e LeDoux.
Uma visão da natureza humana que ignora o poder das emoções é lamentavelmente míope. O próprio nome Homo sapiens, a espécie pensante, é enganoso à luz da nova apreciação e opinião do lugar das emoções em nossas vidas que nos oferece hoje a ciência. Quando se trata de modelar nossas decisões e acções, o sentimento conta exactamente o mesmo - ou mais - que o pensamento. Fomos longe demais na enfatização do valor e importância do puramente racional - do que mede o QI (Quociente de Inteligência). Para melhor e o pior, a inteligência não dá em nada, quando as emoções dominam.
O quadro abaixo representado representa o poder das emoções e como elas influenciam as nossas decisões e acções.
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Tipo |
Característica |
Reação |
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IRA |
Fúria, revolta, ressentimento, raiva, exasperação, indignação, vexame, animosidade, aborrecimento, irritabilidade, hostilidade e, talvez no extremo, ódio e violência patolígicos |
O sangue flui para as mãos, fica mais fácil pegar uma arma ou golpear um inimigo; os batimentos cardíacos aceleram-se e uma onda de hormônios como a adrenalina gera uma pulsação, energia suficientemente forte para uma acção vigorosa. |
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TRISTEZA |
Sofrimento, mágoa, desânimo, desalento, melancolia, autopiedade, solidão, desamparo, perda de prazer, desespero e, quando patológica, severa depressão. |
Confusão e falta de concentração mental, lapsos de memória, dificuldades alimentares e com o sono, apatia. |
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MEDO |
Ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, psicopatológico: fobia e pânico. |
O sangue vai para os músculos do esqueleto, como o das pernas, tornando mais fácil fugir, o corpo imobiliza-se para fugir ou lutar. |
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PRAZER |
Felicidade, alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação e bom humor, disposição e entusiasmo, euforia, êxtase e, no extremo, mania. |
Maior actividade no centro cerebral que inibe sentimentos negativos e favorece o aumento de energia existente e silencia os que geram pensamentos de preocupação; a tranquilidade permite o corpo refazer-se de emoções perturbadoras, repouso geral. |
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AMOR |
Aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão. |
O sangue vai para os músculos do esqueleto, como o das pernas, tornando mais fácil fugir, o corpo imobiliza-se para fugir ou lutar. |
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A pesquisa de LeDoux revela que a arquitectura do cérebro oferece à amígdala uma posição privilegiada de sentinela emocional. Os sinais sensoriais do olho ou do ouvido viajam para o tálamo, e depois – por uma única sinapse – para amígdala; um segundo sinal do tálamo é encaminhado para o neocórtex – nosso cérebro pensante. Fica explícito que a amígdala responde antes do neocórtex ser informado.
As pesquisas têm apontado o sistema límbico como o principal substrato das emoções. Ele é composto por um anel de estruturas corticais situadas nas faces medial, inferior e temporal do cérebro, envolvendo as estruturas do diencéfalo, do tronco encefálico e do lobo temporal.
Há evidências de que a amígdala é estimulada em momentos de ansiedade, e teria a função de conferir uma conotação afectiva à percepção da ameaça. O resultado desse processamento seria transmitido ao hipotálamo medial e matéria cinzenta periaquedutal, que seria responsável pelas manifestações comportamentais, neurovegetativas e hormonais do medo que constituem a reacção de defesa.
A amígdala, um centro no sistema límbico, detecta uma emergência e recruta o resto do cérebro para o seu plano de emergência. E o nosso cérebro pensante, o neocórtex, ainda não percebeu o que está acontecendo.
A remoção cirúrgica da amígdala para controlar sérios ataques num rapaz provocou-lhe um completo desinteresse pelas pessoas, um alheamento, isolando-se sem nenhum contacto humano. Embora conversasse normalmente, não mais reconhecia ninguém, nem mesmo a mãe, e permanecia impassível diante da angústia deles com a sua indiferença. Sem a amígdala perdeu a identificação de sentimento, visto que ela actua como um depósito da memória emocional, e portanto do próprio significado; a vida sem amígdala é uma vida privada de significados emocionais.